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26 de agosto de 2026

Pressurização de Escada: Erros Comuns

Um sistema de pressurização de escada pode passar por todos os testes de comissionamento com as portas fechadas e ainda assim falhar completamente no momento real de uma evacuação — porque é exatamente quando as portas se abrem, uma a uma, em cada pavimento, que o sistema é verdadeiramente testado. É nesse ponto que a maioria dos projetos malfeitos revela seu defeito, e normalmente é tarde demais para corrigir. Conhecer os erros mais recorrentes é a forma mais eficaz de evitar que seu edifício tenha, no papel, um sistema aprovado, e na prática, uma escada que enche de fumaça em segundos.

Erro 1: dimensionar para porta única, ignorar abertura simultânea

O erro mais frequente é calcular a vazão do ventilador considerando apenas uma porta aberta por vez — o cenário mais simples de simular, mas o menos realista em uma evacuação de verdade. Em uma emergência real, várias pessoas em pavimentos diferentes abrem as portas de acesso à escada quase simultaneamente. Se o sistema foi dimensionado apenas para compensar a perda de pressão de uma única porta aberta, a vazão disponível cai drasticamente quando duas, três ou mais portas se abrem ao mesmo tempo, e a pressão diferencial na escada despenca justamente no momento em que mais pessoas dependem dela para não respirar fumaça.

A NBR 15219 prevê critérios de projeto para múltiplas portas abertas simultaneamente, e ignorar esse cenário — optando pelo caminho mais simples e mais barato de calcular — é a causa mais comum de sistemas aprovados em vistoria estática que falham em uso real.

Erro 2: não considerar o efeito chaminé em edificações altas

Em edifícios de grande altura, a diferença de temperatura entre o interior aquecido pelo incêndio e o exterior cria um efeito chaminé natural que pode tanto ajudar quanto sabotar a pressurização, dependendo do pavimento em que o incêndio ocorre e da estação do ano. Projetos que tratam a pressurização como um problema de vazão constante, sem considerar como a estratificação térmica do prédio interage com o sistema em diferentes cenários, tendem a funcionar bem no pavimento testado durante o comissionamento e falhar em outros pavimentos com condições térmicas diferentes.

Erro 3: dampers de alívio mal posicionados ou mal calibrados

Para manter a pressão diferencial dentro da faixa segura — nem tão baixa que permita infiltração de fumaça, nem tão alta que impeça a abertura física das portas — o sistema depende de dampers de alívio que liberam o excesso de ar quando a pressão sobe além do previsto. Um damper mal posicionado, subdimensionado ou com atuador que não responde rápido o suficiente às variações de pressão causadas pela abertura e fechamento de portas resulta em oscilações que, na prática, tornam a escada ora insegura (pressão baixa) ora inutilizável (pressão alta demais para abrir a porta).

Erro 4: fonte de energia sem redundância

Um sistema de pressurização que depende exclusivamente da rede elétrica normal, sem circuito dedicado alimentado por gerador ou fonte de emergência, está sujeito a exatamente o cenário em que mais precisa funcionar: um incêndio real frequentemente causa quedas de energia por atuação de proteções elétricas ou dano à instalação. Projetar o ventilador de pressurização sem garantir alimentação de emergência dedicada é entregar, na prática, um sistema que funciona nos testes e desliga no incêndio real.

Erro 5: falta de compatibilização com o controle de fumaça dos pavimentos

A pressurização da escada não existe isolada do restante do edifício. Se o sistema de exaustão de fumaça dos corredores e halls de pavimento não estiver compatibilizado com a pressurização da escada, é possível criar um cenário em que a exaustão do pavimento “puxa” o ar pressurizado da escada para fora dela através das frestas da porta, invertendo o fluxo que deveria proteger a rota de fuga. Esse tipo de falha só aparece em uma simulação integrada dos dois sistemas — nunca em testes isolados de cada um separadamente, que é infelizmente como muitos projetos são validados.

Como evitar: comissionamento com portas abertas em cenário real

O único jeito confiável de verificar se um sistema de pressurização vai funcionar de fato é testá-lo simulando as condições mais desfavoráveis previstas em projeto — múltiplas portas abertas, pavimentos diferentes, e, quando aplicável, o sistema de controle de fumaça operando simultaneamente. Testes que verificam apenas a pressão com todas as portas fechadas atestam que o ventilador liga, não que o sistema protege alguém em uma evacuação real.

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